Vencedor ou vítima: descubra as diferenças

Vencedor e vítima

Vencedor ou vítima?

Consegue distinguir um vencedor de uma vítima?

Na vida e no trabalho, as pessoas têm comportamentos muito diferentes. Isso condiciona os seus resultados práticos e também aquilo que conseguem alcançar na sua vida profissional e até pessoal.

Neste artigo, vou estereotipar dois perfis de pessoas e descrever os extremos relativamente à sua performance profissional: os muitos maus e os muito bons. Na realidade, a maioria das pessoas estará mais perto da média, oscilando entre comportamentos que vão de um extremo ao outro.

As empresas ou as equipas, conforme o subgrupo que estamos a analisar, são sempre constituídas por elementos muito bons, os elementos de nível A, por uma grande maioria que estará à volta da média e outros claramente menos bons.

A Lei de Pareto

A lei de Pareto, que nos diz que há um equilíbrio de 80/20 em tudo no universo, quando aplicada a este universo, também nos diz que há 20% dos nossos colaboradores, os tais de nível A, que são responsáveis por 80% dos resultados das nossas empresas.

Então, será certamente interessante eu entender o que pensam os 20% melhores da minha empresa, em contraposição com o que pensam os 80% menos bons.

Acima da linha e abaixo da linha

Para tornar a ideia mais visual, eu costumo desenhar uma linha que separa os melhores (em cima) e os menos bons (abaixo da linha).

A primeira grande diferença está no tipo de pensamento que têm relativamente aos seus objetivos e a pergunta que fazem sobre eles.

Os top performers, os colaboradores que estão acima da linha, pensam naquilo que querem alcançar e traçam os seus objetivos. São pessoas que pensam diariamente para onde querem ir e que não deixam nada ao acaso.

Com a intenção de chegar a estes objetivos, entendem que a pergunta que têm de fazer a si mesmos é: COMO? Como é que eu vou conseguir atingir os meus objetivos? O que vou ter de fazer para chegar lá?

Por outro lado, os menos bons, os colaboradores abaixo da linha, focam-se maioritariamente naquilo que não querem, focam-se naquilo que não vão conseguir ou que não está a correr bem

A pergunta que mais fazem é: PORQUÊ? A sua principal preocupação é encontrarem os motivos para o facto de as coisas não funcionarem.

Assumir a propriedade e responsabilidade vs. encontrar as desculpas e os culpados

Os trabalhadores abaixo da linha procuram desculpas. Quando fazem a pergunta do “porquê” e encontram uma boa desculpa, ficam logo descansados.

Pensam que já não é um problema com o qual eles tenham que lidar, pois já encontraram a razão para não pensar mais nisso. O pior de tudo é que, muitas vezes, encontram desculpas até antes de as coisas acontecerem. Quantas vezes já ouviu da sua equipa: “Isso não vai dar porque…”.

Claro que, depois de encontrarem as desculpas perfeitas, já não começam o trabalho com vontade nenhuma. Mas se tiverem que iniciar o trabalho, desistem ao mínimo obstáculo e ainda afirmam, convictos da sua razão: “Pois, eu bem sabia que isto não ia resultar.”

Mais perigoso ainda é quando me dizem: “Não, isto não é uma desculpa, isto é um facto”. Essa então desarma qualquer um, pois, como se costuma dizer, contra factos não há argumentos.

A canção do bandido

Aqui, o meu conselho é que não se deixem enganar pela canção do bandido. Não se deixem enveredar nas teias que, muitas vezes, a equipa tece para os envolverem. Se a desculpa encontrada é mesmo algo que não se consiga contrariar, então teremos que encontrar a maneira de contornar os obstáculos. Não há barreiras impossíveis de derrubar ou ultrapassar, só é preciso encontrar a forma certa de o fazer.

As pessoas abaixo da linha encontram culpados. Quando algo menos bom acontece, começam a procurar um culpado. Culpam sempre os outros ou alguma coisa: é o produto que não presta, é o cliente que não entende, é a concorrência que não é leal, é o calor, é o frio, é o dia da semana… Enfim, há sempre um culpado e nunca são eles próprios!

Há uns anos, quando comecei a trabalhar numa nova empresa, percebi rapidamente que, quando algo corria mal, a primeira ação de cada elemento da equipa era procurar as provas de como não tinham sido eles os culpados do problema. Isto, para mim, foi assustador e, obviamente, que retirei rapidamente este peso na consciência (que era algo instituído por comportamentos das chefias anteriores).

Aos poucos, eles começaram a aprender que o primeiro passo era resolver o problema e, só depois de o problema estar completamente resolvido, é que iríamos entender o que se tinha passado. O objetivo desta análise não era encontrar o culpado, mas encontrar o que tinha falhado no processo, para garantir que não voltaríamos a ter a mesma falha.

A propriedade dos resultados

As pessoas acima da linha assumem completamente a propriedade dos seus resultados. Entendem que, apesar de haver coisas que não controlam, são as suas atitudes que condicionam os seus resultados, sabem que se mudarem o que estão a fazer hoje vão conseguir ter resultados diferentes amanhã. Percebem muito bem a lei da causa/efeito.

Os melhores trabalhadores assumem a responsabilidade pelo que fazem. A palavra responsabilidade significa, na sua origem, a habilidade de encontrar respostas. Estas pessoas sabem que têm de conseguir resolver os seus desafios, têm que pensar pela sua própria cabeça e encontrar várias alternativas de solução para os seus problemas.

Entendem que quanto mais alternativas encontrarem, melhor pensam e mais robusta será a solução final encontrada.

Aceitar a prestação de contas vs. estar em negação

As pessoas acima da linha estão disponíveis para prestar contas. Entendem que a prestação de contas faz parte da sua vida, que é fundamental para manterem o ritmo e garantirem que estão no bom caminho. São os primeiros a pedir contas a si mesmos.

Reagem muito bem quando lhes dão objetivos, quando os ajudam no acompanhamento semanal do cumprimento de objetivos, tendo métricas que permitam avaliar o seu desempenho. Sentem-se bem em empresas que têm estes processos de controlo instituídos, pois sentem que eles foram criados para os ajudar, para os fazer crescer e manter focados naquilo que é mais importante.

As pessoas abaixo da linha fogem dos indicadores e da prestação de contas. Estas pessoas andam em negação e não querem ver a realidade como ela é. Fogem das métricas porque elas colocam a nu a realidade. Os indicadores mostram de forma inequívoca a verdade. Aqueles que estão abaixo da linha não querem ver esta verdade e, por isso, vão querer fechar os olhos e fugir de qualquer prestação de contas.

Os elementos menos bons reagem muito mal a empresas em que a prestação de contas é um ponto de cultura. Sentem-se controlados e entendem este controlo como algo pernicioso. Admitem que o controlo tem como objetivo abusar da vontade deles e obrigá-los a um esforço que eles não querem fazer.

Obviamente, ninguém consegue estar sempre acima da linha. O objetivo é, cada vez mais, conseguirmos identificar os comportamentos acima e abaixo da linha, para conseguirmos reagir mais rápido quando estivermos abaixo da linha e tentar passar lá o menor tempo possível. Se conseguirmos diminuir este período de tempo, estamos claramente no caminho certo para atingir a alta performance.

Vencedor ou vítima

Abaixo da linha, temos as vítimas. E sabem o que é que as pessoas de baixa performance procuram? Outras pessoas de baixa performance. Elas tendem a juntar-se, pois estão convencidas que assim ganham força e que, na união do grupo, conseguem disfarçar a má performance individual. Escudam-se em desculpas como: “Eu não consigo, mas este e aquele também não. Os objetivos é que estão mal definidos”.

Estas pessoas vivem em permanente vitimização, ou seja, tudo de mau lhes acontece e eles nunca fizeram nada para isso. E tendem a não sair da sua zona de conforto, não arriscam, não saem, no seu dia-a-dia, daquilo que sabem fazer com tranquilidade.

Acima da linha, temos os vencedores. Os vencedores percebem perfeitamente a lei da causa e efeito e, por isso, entendem-se como a causa. Entendem que se encontrarem a causa certa e a conseguirem replicar, vão conseguir produzir o efeito desejado.

O Diabinho e o Anjinho

Para terminar, queria apenas alertar-vos que, sentados nos vossos ombros, têm um diabinho de um lado e um anjinho do outro.

Anjo e diabo

Constantemente, o diabinho vai puxar-vos para o lado das vítimas, vai querer atrair-vos para o lado da zona de conforto, para buscar atalhos e encontrar os caminhos mais fáceis. Não é fácil não lhe dar ouvidos, mas estejam muito alerta.

Em contraponto, temos também o nosso anjinho, que puxa pelas nossas capacidades, nos faz acreditar que tudo vai correr bem e nos ajuda a manter um espírito otimista. Nem sempre lhe conseguimos dar ouvidos, mas ele é nosso amigo.

Por falar em amigos e familiares, muito cuidado com eles. Muitas vezes, a voz do diabinho não vem só de dentro de nós, vem também de fora. A maioria das pessoas é avessa ao risco, gosta de manter-se na zona de conforto, e, por isso, os nossos amigos e familiares, que nos querem bem, vão muitas vezes dar-nos para trás quando nos sentem a ir para fora de pé.

Lembrem-se que eles não estão a fazer isso por mal, estão apenas a querer defender-nos de algo que eles acreditam que é um risco grande. No entanto, estão a fazer o papel do diabinho, que tantas vezes nós também fazemos a nós próprios.

Estejam atentos!

Conclusão

Em conclusão, as diferenças entre os melhores e os menos bons são muitas e até bastante visíveis. No entanto, não é fácil conseguirmo-nos manter acima da linha a maior parte do tempo. É preciso muita persistência, mas é também por isso que não estão lá todos. É exatamente essa dificuldade que faz com que apenas 20% das pessoas lá cheguem.

Mas, segundo a lei de Pareto, são os 20% que vão tirar os 80% dos resultados.

Parece aliciante, não? Parece um esforço que vale a pena fazer.

Mas será que está disponível para isso?

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