O EU atrás do empresário

O EU ATRÁS DO EMPRESÁRIO

A maioria dos meus textos e do meu trabalho é sobre gestão e gestores. No entanto, é muito importante entendermos que por trás de um empresário há sempre uma pessoa. Uma pessoa que se não estiver bem, satisfeita ou preenchida, nunca vai conseguir dar o seu melhor no dia a dia.

O EU atrás do empresário

Quando defino o meu trabalho, faço questão de lhe chamar coaching empresarial, porque além de dar toda a ajuda e acompanhamento na gestão da empresa, foco-me em acompanhar a pessoa, garantindo que o empresário está envolvido e com o foco nas coisas mais importantes que tem para fazer.

A pergunta que gostava de lhe fazer hoje é: como está a pessoa por trás do empresário? Tem pensado nisso?

A maioria dos empresários que conheço esquece-se das outras vertentes da sua vida. Trabalham 16 horas por dia, vivem para o trabalho, sonham com os novos negócios e só pensam na empresa. Mas será que isso é suficiente? Será que esse pensamento lhe permite dar o melhor de si?

Na minha opinião, nós somos compostos por várias áreas e todas elas são muito importantes. Nós somos empresários, nós somos mães ou pais (quem tem filhos), nós somos marido ou mulher, nós somos filhos, nós somos netos, nós somos amigos, nós somos um corpo e uma mente. É muito importante que todas as áreas estejam equilibradas para que eu consiga colocar o melhor de mim naquilo que faço.

Falando de mim. Eu não consigo estar totalmente bem se um ente querido não está bem. Eu não consigo estar totalmente focada no meu trabalho se sei que um amigo está em sofrimento. Eu não consigo dar o melhor de mim se o meu corpo não estiver bem. Eu não consigo envolver-me profundamente na resolução dos desafios profissionais se os meus pensamentos me puxam para outro lado e se eu não os consigo controlar.

Sei que este pensamento não é consensual, porque há pessoas que acreditam que nasceram para ser empresários e que o poder, a riqueza e o estatuto de ser um grande empresário valem mais do que tudo o resto.

Tenho um cliente assim e não critico. Entendo perfeitamente que há formas diferentes de pensar e de levar a vida. O mais importante é perceber se somos realmente felizes na vida que levamos. São escolhas que se fazem e, embora não esteja de acordo com as minhas crenças, desejo que o meu cliente tenha muita razão e que não se venha a arrepender mais tarde.

A maioria das pessoas, quando pensa racionalmente sobre o tema, concorda com o meu ponto de vista. O problema é que o trabalho o consome de tal forma que o tira do seu modelo racional. Acaba por envolvê-lo em horas a fio de trabalho, não o deixando sair para as outras áreas da sua vida, sem que de tal facto resultem, muitas vezes, bons resultados para a empresa.

E como posso fazer diferente?

Há uns anos, quando fui mãe pela primeira vez, ainda estava a trabalhar no dia anterior ao parto. Nessa altura, a minha chefe chamou-me ao seu gabinete e fez a seguinte análise: “Mariana, até hoje, trabalhaste muitas horas diariamente. És uma trabalhadora super dedicada, sempre pronta a dar mais, a ficar mais horas ou trabalhar fins de semanas. Mas, a partir dos próximos dias, a tua vida vai mudar e vais ter que fazer escolhas de uma forma muito consciente, para que depois não te arrependas de nada. Todas as escolhas têm consequências e tens que estar preparada para isso”.

Na altura, não percebi o que ela queria dizer. A minha escolha parecia-me óbvia e já tinha sido feita nove meses antes, quando resolvi ter um filho. Obviamente, sabia que a partir do momento em que tinha decidido ser mãe, que aquele bebé que estava quase a nascer iria passar a ser a minha maior prioridade. Não só nos meses seguintes, mas daí para a frente, em todos os dias da minha vida, porque a minha família está à frente de tudo.

O EU atrás do empresário

No entanto, passados uns meses, percebi o que a minha chefe me queria dizer. Quando regressei à empresa, alguns meses depois de ter sido mãe, o meu lugar estava obviamente ocupado (não poderia ser de outra forma, porque não ficaria cinco meses à minha espera). Nessa altura, desci no organograma e perdi algumas regalias.

Se não estivesse totalmente consciente da minha decisão, poderia ter sido um problema e poderia ter-me causado alguma revolta. Mas, na verdade, não senti qualquer sentimento negativo nessa situação, pois tinha sido uma escolha consciente. Sabia que tinha escolhido a família em vez do trabalho e que, conforme a minha chefe me tinha dito, todas as escolhas têm as suas consequências.

Por outro lado, quando olhava para o meu filhote, pequenito mas muito feliz pela proximidade da família, alcançava uma felicidade que me enchia profundamente e me dava a certeza de ter feito a escolha certa.

Mais tarde, numa mudança de emprego, dei por mim a chegar muito tarde a casa, pois a operação da empresa era maioritariamente ao final do dia/princípio da noite. Nessa altura, já tinha dois filhos e houve algumas noites em que não estava em casa para os deitar.

Isso estava a deixar-me triste. Eles verbalizaram várias vezes que sentiam a falta da mãe ao deitar. Não durou muito tempo, porque senti que não estava a ser nem a melhor mãe, nem a melhor trabalhadora. Estava a sentir-me culpada nessas duas vertentes da minha vida. Fiz as minhas escolhas e passei a colocar o alarme para sair do trabalho, no máximo, às 19h30. Os meus filhos eram mais importantes. A minha família é a minha prioridade.

Conclusões: O EU atrás do empresário

Eu sei que se não estiver bem, e isso significa ter a minha vida familiar forte e consolidada, eu não vou estar bem, não vou conseguir render o meu melhor no trabalho e não vou conseguir dar o melhor de mim naquilo que eu faço.

Desta forma, aquilo que lhe sugiro é que faça esta reflexão e entenda quem é o EU atrás do empresário. O que é mais importante na sua vida? Quais são as áreas da sua vida que valoriza? Como têm sido as suas escolhas nos últimos tempos?
Estes são alguns exemplos das áreas que pode incluir: família, amor, trabalho, amigos, saúde, conhecimento, finanças, espiritualidade.

Depois de chegar às suas prioridades, avalie o seu ponto de situação em cada uma delas. De 0 a 10, como está em cada uma destas áreas.

O ponto seguinte é fazer um plano para melhorar nas áreas em que não está tão bem, porque é fundamental que esteja bem em todas as áreas que são importantes para si. O preenchimento de cada uma das áreas é muito importante, pois o equilíbrio é essencial para conseguir estar bem e entregar o melhor de si àquilo que faz.

Torne as suas escolhas mais conscientes. Tenho a certeza que essa consciência lhe trará a felicidade que todos procuramos diariamente.

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