5 ideias para ser um melhor profissional

5 ideias para ser um melhor profissional

Nos últimos dias, tenho ouvido muitos discursos derrotistas e muita gente a queixar-se dos dados externos para justificar tudo o que de mal lhes está a acontecer.

Não quero, de todo, minimizar o impacto daquilo que está a acontecer neste momento no mundo, estamos perante uma pandemia como nunca vivemos nas nossas vidas e uma das maiores crises económicas de que temos memória. Estes são factos inegáveis e a grande maioria de nós pouco poderá fazer para os alterar. São dados que nos ultrapassam, como o facto de um dia estar a chover e no outro a seguir estar sol.

Parar ou desistir?

Mas será que esses factos nos poderão fazer parar ou desistir? Deveremos cruzar os braços e esperar que o mundo melhore ou que alguém resolva o problema?

Na minha opinião, não! Ao mesmo tempo que temos de acreditar na competência dos laboratórios para encontrar a vacina, nas entidades médicas para diminuir o impacto na saúde, nos governos para gerir orçamentos e os subsídios da melhor forma, eu tenho que fazer a minha parte e encontrar as soluções que me permitam evoluir, ter um negócio mais adaptado à realidade atual e ser capaz de reagir da melhor forma neste momento desafiante.

Há dias, em conversa com um empresário, que já tem muitos anos de experiência e por quem tenho muita estima, ele dizia-me: “Sabes, Mariana, estou preocupado com o futuro dos jovens de hoje. Quando eu me formei, arranjei um bom emprego e tinha um salário principesco, que dava para viver de uma forma muito desafogada. Provavelmente, quando tu te formaste, uma engenheira como tu és, arranjaste logo emprego, com um salário razoável, que deve ter dado para teres uma vida razoável. Hoje, um jovem formado, ao fim de 5 anos de universidade, já tem dificuldade em encontrar um emprego e, se o conseguir, vai ganhar o ordenado mínimo. Qual é o futuro que este jovem vai ter?”.

Eu compreendo esta preocupação e também gostava que fosse diferente e mais fácil para todos. Tenho dois filhos que, se tudo correr conforme a normalidade, daqui a dez anos vão estar no mercado de trabalho e eu gostaria, obviamente, que fosse simples para eles terem uma vida segura.

Apesar de ser verdade que eu, assim que saí do Técnico, consegui escolher para onde quis ir trabalhar e que fui ganhar razoavelmente bem, já na minha altura, se eu pensar bem, não era bem assim para todos os cursos. Tenho muitos amigos que tiraram direito e, na melhor das hipóteses, foram fazer estágios não remunerados. A maioria dos meus amigos desta área acabou a fazer outras coisas muito diferentes da sua área de especialização e, alguns deles, a receber salários muito baixos face ao meu padrão.

O mercado de trabalho de hoje

Hoje, o mercado de trabalho está ainda mais exigente. Eu acredito muito que as pessoas devem ganhar um salário na proporção do valor que criam  às empresas. Mas, sejamos honestos, quando saem das universidades, a maioria dos miúdos tem um potencial enorme (uns mais que outros, claro), mas na verdade estão muito pouco preparados para criar valor.

Há uns anos, tive uma pessoa da minha equipa que me dizia: “Se eu trabalho tantas horas como ela, por que é que ela ganha mais 20% do que eu?”. Quando ela me disse isto, eu nem queria acreditar no que estava a ouvir. Era uma miúda nova, com poucos anos de experiência profissional. Eu, naquela altura, ainda acreditava que este era um pensamento do antigamente, do horário de trabalho, das progressões automáticas, dos anos de casa. Mas, depois disso, percebi que é um pensamento que os jovens estão a começar a abraçar novamente. Ouve-se muito falar de direitos, de cumprimento de horários, de regalias, de igualdade. Mas onde fica a produtividade? Onde ficam os resultados?

Hoje, sou prestadora de serviços à empresa Paulo de Vilhena e sinto-me muito bem com isso, pois, apesar de saber que não tenho um salário fixo, sei que a minha remuneração é diretamente proporcional ao meu esforço (horas de trabalho, ou seja, clientes) e à qualidade do meu esforço (produtividade e capacidade de angariação e retenção dos clientes). Eu acredito no meu trabalho e, por isso, sei que este é o modelo mais justo para ambas as partes.

Mas será que os jovens têm menos oportunidades hoje?

Vou ser sincera, eu não acredito em nada disto. Acredito que as portas não se abrem com tanta facilidade, pois o número de jovens licenciados não tem parado de crescer e as empresas não têm conseguido crescer ao mesmo ritmo.

Acredito que nos primeiros meses os salários serão, na maior parte dos casos, muito perto do ordenado mínimo. Mas também acredito que as empresas vão reconhecer todos aqueles que se dedicarem, forem realmente produtivos e trouxerem resultados, e tudo irão fazer para não os perder.

Mesmo há 20 anos, quando me formei, não era fácil. Para conseguir um bom lugar, era preciso estar entre os melhores e mostrar o valor rapidamente. Formei-me em engenharia, passados três anos fui reforçar o conhecimento com um MBA e, algum tempo depois, fiz mais uma pós-graduação. Sempre li muito e procurei atualizar os meus conhecimentos. Fiz alguns cursos internacionais, à distância e presenciais, que representaram grandes investimentos monetários e de tempo, mas, hoje, considero que foi o dinheiro mais bem investido. Pode parecer fácil, mas conseguir ter sucesso na vida, do ponto de vista profissional, dá muito trabalho, mesmo para quem nasceu noutros tempos que podem, agora, parecer mais fáceis.

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Como é que um jovem pode então fazer a diferença?

  1. Deixar de ser vítima

É muito importante que os jovens entendam que não são nenhumas vítimas. Os jovens estão a viver hoje num tempo de grandes facilidades. A informação e entretenimento estão à distância de um clique, conseguem estar com os amigos à distância de um clique, conseguem conhecer outros países, diferentes culturas e falar com pessoas do outro lado do mundo… tudo à distância de um clique.

Mesmo os bens materiais são, na sua grande maioria, tendo como base o nível de vida atual, muito mais acessíveis. No meu tempo de juventude, comprar uma bicicleta, por exemplo, era algo que não estava ao alcance de qualquer um. Era um luxo que nem todos poderiam ter. Para comprar umas calças de ganga importadas (como as Levis, que estavam, então, na moda), mesmo em situações de famílias desafogadas, como era o meu caso, tinha que poupar dinheiro durante muitos meses. Apesar de nunca ter faltado nada de essencial em casa dos meus pais, para comprar uns ténis normais, como os AllStar, que todos tínhamos, tinha que juntar as prendas da família toda. A vida, do ponto de vista financeiro, era, em média, bem mais difícil do que é hoje.

É muito importante que, entendendo que vivemos tempos de abundância, que podemos e devemos assumir a propriedade pela nossa vida e pelos nossos atos. Os nossos pensamentos, atitudes e comportamentos condicionam o que nos acontece. Temos que entender que se não estamos no sítio onde queremos ficar, então temos que mudar qualquer coisa. E onde é que eu consigo mexer? Só em mim. Eu posso convencer-me que sou uma vítima, que tudo me acontece, mas isso não vai  melhorar em nada a minha vida. Antes pelo contrário, vai, provavelmente, aumentar a minha dor.

Então, eu tenho que passar para o lado dos vencedores, segurar com força o volante do meu carro, assumir a responsabilidade dos meus atos e procurar os caminhos que me vão levar para o sítio onde quero chegar.

  1. Aposte em si

Um dos pontos em que acredito profundamente é que nós temos que estar constantemente a evoluir do ponto de vista dos conhecimentos e das nossas competências. Acrescentaremos mais valor à nossa hora de trabalho se soubermos mais e formos capazes de fazer coisas mais complexas.

Conforme referi, acredito que a nossa hora de trabalho, mesmo quando trabalham por conta de outrem, deve ser remunerada em função daquilo que conseguimos produzir. Por isso, é fundamental que vocês tenham a preocupação de ser melhores todos os dias. É muito importante que tenham a preocupação de, mesmo em tarefas repetitivas, fazer cada vez melhor e em menos tempo, de modo a conseguirem tornar-se mais produtivos.

Eu adoro estudar, mas penso que é uma obrigação que todos temos. Da mesma forma que alimentamos o nosso corpo diariamente, para que ele se mantenha saudável, é muito importante também alimentarmos a nossa mente. É essencial encontrarmos os temas pelos quais temos curiosidade, ou que são importantes para a nossa evolução profissional, e apostarmos na aprendizagem constante. Pelo menos, um bocadinho todos os dias.

É muito importante, também, sabermos consolidar o conhecimento de uma forma prática. Passar do conhecimento teórico para a competência prática. Conheço muitas pessoas que tiram cursos a metro, mas depois não aplicam nada do que aprendem. Esse conhecimento vale zero! Tal acontece, inclusivamente, com os empresários, que tiram cursos connosco. É preciso conseguir pô-lo em prática, utilizá-lo no dia-a-dia para tirar proveito do investimento que estamos a fazer, quer de tempo, quer de dinheiro.

  1. Arrisque

O medo do desconhecido é um dos maiores medos do ser humano. A maioria das pessoas gosta de jogar pelo seguro, de permanecer na sua zona de conforto e de não arriscar em nada. Mas, se queremos ter um futuro diferente da maioria, temos que nos comportar de uma forma diferente. Temos que estar disponíveis para arriscar, para aceitar desafios que não estamos certos de como os vamos resolver. Temos que nos preparar para nos atirarmos de uma altura na qual nunca estivemos antes, para navegarmos por mares que nos pareçam assustadores sem sentirmos um medo que nos paralise.

Temos que saber utilizar o medo a nosso favor. O medo é algo que, bem utilizado, nos é muito útil. É o medo que nos permite mantermo-nos vivos. Foi o medo que permitiu à nossa espécie manter-se viva. O medo faz-nos ter cuidados que são fundamentais para a nossa sobrevivência, mas apenas temos que o saber gerir da melhor forma, para que ele não nos impeça de ir mais além, de evoluir e de crescer.

É muito importante traçarmos os nossos objetivos. Estes devem ser traçados de forma clara e devemos acreditar neles, mas devem ser ambiciosos. Pode ser algo que ainda nem sequer sabemos como vamos lá chegar, mas sabemos que queremos alcançar e estamos convictos que vamos encontrar o caminho para lá chegar.

Estes objetivos devem ser muito inspiradores e terão de ser definidos de forma a que, de cada vez que penso neles, me arrepie com a perspetiva e a felicidade de os alcançar. Têm que ter significado.

  1. Não desista, persista

Um objetivo é inegociável. Ou seja, é para acontecer ou morrer a tentar.

É muito importante que, quando definimos objetivos, tenhamos mesmo esta preocupação de os tornar inegociáveis. Devemos atribuir ao objetivo um valor de tal ordem importante que estamos dispostos a tudo para o fazer acontecer.

Uma das coisas que mais vejo nos profissionais com que trabalho é uma definição de objetivos, como se fosse uma lista de desejos. “Ah! Eu gostava de para o ano ter o valor X de lucro”. Na sessão seguinte, faço a mesma pergunta e já me dizem um valor diferente. E, se calhar, no mês seguinte, já me dizem outro ainda. Ora, isto não é um objetivo, é só mesmo um desejo, com pouca convicção e sentido.

Um objetivo tem que ser algo em que acredito profundamente e que tem uma força suficientemente grande para não me deixar desistir. Tenho de persistir na persecução do objetivo, mesmo quando começa a parecer muito difícil. É normalmente nesse momento que se distinguem os bons dos muito bons.

Já alguma vez viram uma formiga desistir? Admiro muito as formigas, pois elas levam muito a sério esta definição de objetivos inegociáveis. Elas sabem exatamente para onde querem ir, decidem o caminho e lá vão elas, sempre muito apressadas e muito decididas. Se lhes aparece algum obstáculo, as formigas rapidamente entendem qual a melhor forma de dar a volta àquele obstáculo e vão continuar no ritmo rápido que as caracteriza. Se aparece outro mais à frente, elas também não vão parar. Nada impede as formigas de continuarem o seu caminho.

Na verdade, só há uma forma de parar a formiga. Sabem qual é?

5 ideias para ser um melhor profissional

Claro, só matando a formiga é que eu a consigo parar. Ela entende muito bem o verdadeiro significado de atingir o objetivo ou morrer a tentar.

  1. Pense maior que os outros

Se queremos ter uma remuneração acima da média, temos mesmo que fazer a diferença. É fundamental, acredito eu, fazer parte dos melhores, pertencer ao grupo dos que trazem os maiores resultados à empresa, àqueles que são mais ambiciosos, que trazem ideias fora de caixa e que estão sempre disponíveis para acreditar e seguir em frente, quando todos os outros já desistiram e já não acreditam.

É preciso fazer a diferença! Temos que ser melhores todos os dias e temos que nos diferenciar! Não podemos ser só mais um.

5 ideias para ser um melhor profissional

Estes 5 pontos que referi – além de muitas outras ideias e estratégias que encontrará mo meu site – parecem óbvios e parecem estar ao alcance de todos. No entanto, dentro da minha experiência profissional, que já vai longa, posso garantir-vos que há muito poucos profissionais a pôr em prática estes pontos, o que deixa ainda uma boa janela de oportunidade para quem os levar a sério.

Aquilo que acredito que pode fazer a diferença, para levar estas 5 ideias mais a sério, é a identificação de um propósito forte que vos ajude a manterem-se fiéis a este caminho, mesmo quando ele parece difícil. É preciso passar da motivação diária para a convicção duradoura e, para isso, é fundamental ter um propósito para ganhar essa força.

Se o “porquê” for suficientemente forte, o “como” tornar-se-á muito mais simples

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